Elaborando...

...Elaborando:

Meus escritos são como imagens de um caleidoscópio: pequenos fragmentos repetidos, ampliados e combinados para formar uma imagem, fechar uma gestalt.
Todos viram personagens, posso usar qualquer vivência, minha ou de outras pessoas, tudo o que me toca e pede algum sentido. Onde havia canutilhos e miçangas podemos ver flores, mandalas, imagens de abstrações variáveis.
Você pode estar refletido em algum, ou vários, momentos. Mas não se ache tanto nem tão pouco: não há lugares fixos, e você pode ser apenas dois canutilhos e uma miçanga, não a figura completa.
E por quê? Porque fechar gestalts é uma função básica do cérebro, porque escrever é um meio de elaborar vivências e transformá-las em algo que se pode ver sob várias perspectivas. Porque é meu modo de crescer, porque preciso ver algum sentido na vida. Ou simplesmente porque é possível passar horas apenas rodando um velho caleidoscópio.

_________________________________________________________________________

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Nexo de Lilu

Lembro quando nossos corpos eram extensões dos desejos
Todos os motivos levavam ao sexo
E eu pensava que nada mais tinha nexo
Côncavo, convexo
A vida era boa assim
E, na verdade, era esse todo o nexo:
Sexo, entre nós, não tinha fim


Até que um dia
Tudo muda
Tudo desbota
E fica, assim, tão desconexo
E nossos corpos mal se tocavam
No tempo, no espaço
E nosso mundo perdeu o nexo:
Não basta amor sem sexo
Já perdemos as asas de querubim
Sexo entre nós não tinha ,
Fim .

                                                                                                                                                
*fotografia: Lu Barcelos
http://negalilu.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Caleidoscópio

Sangue do meu sangue
Suingue do meu suingue
Vive em mim ainda
Como um samba inacabado
Em terras de bossa nova e rock’n’roll

Qual o mapa?
Qual a rota?
Como chegar ao seu coração?
Quero perder-me em seus sonhos
Suas páginas em branco
Quero sonhar com você
Suingue do meu suingue
Samba no meu tango

Sombra em minha paz
Medo da conquista
Prazer do mistério
Nota fora do tom
Que sussurra impropérios
 
Um laço de seda na caixa
Relíquia de amor
Um beijo deixado na cama
Amor ao telefone
Embalagem bem bonita
Para um amor que não se espera
Saxofone perdido em um bolero
Danças fora de moda
Amor à moda antiga

Coleciono bobagens
Mosaico de lembranças
De coisas não vividas
Nostalgia do futuro
A tristeza das coisas
Palavras não inventadas
Para sentimentos sem definição
Partida
Doce solidão
Caixa de lembranças
E um pacote de esperanças




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fora do tom



Sempre que canto suas músicas fujo do tom
Parece tão desafinado o meu coração:
Bate fora de compasso
Vê que falta um pedaço
Falta amor nessa canção

Meu bem, sua música está fora do tom
Parece tão triste seu violão:
Não tem mais pra quem compor
Nem espera um novo amor
Canta só desilusão

Estou aprendendo a cantar no seu tom
Pra ver se espanto essa solidão
Ter você sempre ao meu lado
Com esse ar de apaixonado
Quero ser seu violão

Sempre que posso eu fujo do tom,
Parece tão livre meu coração
Mas é preso em seu abraço
Já não fujo e nem disfarço
Não resisto à paixão

Amor, sua música saiu do tom
Tenta escutar com o coração
Verá que faltam os sorrisos
Vê se entende o que digo:
Falta “eu” nessa canção...