Elaborando...

...Elaborando:

Meus escritos são como imagens de um caleidoscópio: pequenos fragmentos repetidos, ampliados e combinados para formar uma imagem, fechar uma gestalt.
Todos viram personagens, posso usar qualquer vivência, minha ou de outras pessoas, tudo o que me toca e pede algum sentido. Onde havia canutilhos e miçangas podemos ver flores, mandalas, imagens de abstrações variáveis.
Você pode estar refletido em algum, ou vários, momentos. Mas não se ache tanto nem tão pouco: não há lugares fixos, e você pode ser apenas dois canutilhos e uma miçanga, não a figura completa.
E por quê? Porque fechar gestalts é uma função básica do cérebro, porque escrever é um meio de elaborar vivências e transformá-las em algo que se pode ver sob várias perspectivas. Porque é meu modo de crescer, porque preciso ver algum sentido na vida. Ou simplesmente porque é possível passar horas apenas rodando um velho caleidoscópio.

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sábado, 29 de outubro de 2011

Conquista

 Porque eu já sei a verdade
Já sei que o tempo vai passar
Sei que o coração vai se acostumar
A ver você todos os dias
E sei que vamos conhecer a rotina dos olhares
E vamos deixar de enxergar os mistérios que hoje vemos no fundo dos nossos olhos


Os mistérios quase acabam
Os olhares tornam-se menos profundos
Ou a curiosidade sobre o que eles revelam diminui
A alma continua lá
Mas nos enxergaremos cada vez menos

E a rotina vai se instalar
Não haverá mais comemoração a cada telefonema
E a conquista vai se esvaindo

Não, não quero que seja assim
Quero ter fôlego para voltar ao início
Quando perceber que a magia vai se perder
Quero buscar nos seus olhos mais respostas
Quero que você se lembre do meu olhar para você na primeira noite em que saímos
Aquele olhar de quem descobriu um mundo
Aquele olhar que o convidava para o meu mundo
Aquele olhar que o fascinou ao me despir de corpo e alma

Eu já sei a verdade
Eu já sei quem você é
Eu já sei que a conquista não me basta
Eu já sei que quero o seu olhar junto ao meu
E quando o mistério virar ternura
Quero seu sorriso e seus braços
Quero caminhar com você
Na estrada do seu sorriso
Que o seu olhar iluminou

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sem Par

E eu me pergunto que tipo de dança é essa nossa
Em que você se afasta quando me entrego?
E eu só me entrego quando você se afasta
Na sua disponibilidade, me assusto
Na sua procura, me nego
Na sua volta, me recuso
No seu protesto, o invalido

Que dança é essa,
Em que você executa passos, movimentos, posições
Tão destacado de mim?
Que dança é essa em que nos seus braços
Rodopio sozinha
Numa música que só eu escuto?

Que dança estranha e antiestética
De um beijo que não se completa
De carícias que ficam vazias
Quando passam dos limites do abraço

Que dança?
Quem dança?
Quem dança com quem?
Acho que essa música é de dançar separado.

Ing 07/09/11

domingo, 28 de agosto de 2011

Estatística

Chegou, onde eu não via espaço

Trouxe cor, mas logo esmaeceu,

Foi embora, deixou vazio

Hora errada: esse desfecho conheço

Virou estatística
                                     
        Ing  22/05/11